“Só eu sei
Nos mares por onde andei
Devagar”
Somos, antes de tudo, na linguagem e pela linguagem não é necessário
um caminho para linguagem. Um caminho para linguagem é até mesmo
impossível, uma vez que já estamos no lugar para o qual o caminho
deveria nos conduzir. Mas será que estamos mesmo nesse lugar? Será
que somos e estamos na linguagem a ponto de fazermos a experiência de sua essência, de a pensarmos como linguagem, numa escuta, o próprio da linguagem? Será que já estamos na proximidade da linguagem mesmo sem uma ação nossa? ou será caminho para a linguagem o mais longo e extenso que se pode pensar? E não apenas o mais longo, mas também cheio de obstáculos oriundos da própria linguagem tão logo tentamos pensar, genuinamente e sem desvios, a linguagem no que lhe é própria? (HEIDEGGER, 1998 p. 192-193)